EXPLORANDO FOTOTERRITÓRIOS

 

Agrupadas em sequências nada cronológicas, as fotografias reunidas aqui integram as principais listas de TOP10 de sites na internet, selecionadas a partir de buscas por palavras-chaves e frases do tipo "As fotos mais importantes do século XIX, XX, XXI", "As fotos que marcaram época" e assim por diante. Aos poucos também fui adicionando outros critérios de seleção de imagens que considero imprescindíveis para a formação do (meu) olhar. Ainda que listas sejam questionáveis e minha seleção seja fragmentada, adotei este procedimento como ponto de partida para observar a fotografia como plataforma para diferentes abordagens históricas, filosóficas, políticas e sociais. A proposta é apresentar um conjunto de fotos de vários gêneros, autores e períodos, e adotá-las como territórios para pensar questões não propriamente relacionadas com os seus temas originais, tentando ativar outras possibilidades de temas indiretos, imprevistos.

 

O que faço é retirar parte ou integralmente a figura humana de ícones da Fotografia. São cenas que se notabilizaram, ora pela carga dramática, ora pela incontestável beleza do encontro com o tal “instante decisivo”. Há flagrantes de guerras, catástrofes naturais, acidentes trágicos, genocídios, suicídios e toda gama de situações que causaram dor e horror documentadas pelas lentes de fotógrafos como Alexander Gardner, Robert Capa, Kevin Carter, Benjamin Abrahão, Manu Brabo, Sebastião Salgado e Nick Ut, só para citar alguns. Mas também há a leveza de objetos flutuantes, olhares sorridentes, coloridos intensos e tecidos esvoaçantes captados por artistas como Josef Koudelka, Elza Lima, Marc Ribould, Walter Firmo, Jacques-Henri Lartigue, Miguel Chikaoka ou Luiz Braga.

 

Alterando a composição de 'figura-fundo' das imagens que compõem esta coleção, o que resta para lembrar? Sem as palavras que legendam fotografias tantas vezes vistas, como e de que forma nos conectamos às suas histórias, autores, personagens, e principalmente, como lidamos com tudo o que a fotografia representa hoje enquanto patrimônio histórico e imaterial da humanidade?

 

A escolha de lidar com arquivos pré-existentes partiu da hipótese de que uma base de imagens de notório conhecimento - pertencente à cultura visual contemporânea -, seria possível estabelecer um canal de interlocução abrangente para pensar sobre a relação palavra-imagem, realidade e ficção, temas tão frequentemente em uso, em fluxo, transformação. Mesmo sabendo que a hipótese de arquivo comum seja uma aposta arriscada - já que se baseia na invisibilidade da memória alheia -, acredito que ao alterar parte do conteúdo visual de fotos históricas, cria-se um tipo de tensão que poderá provocar alguma reação reflexiva por parte do espectador. Espero que surjam reações na direção do diálogo construtivo, jamais violento, ressentido ou banal.

 

Revisitar um pouco da história da fotografia é sempre uma rica viagem, a qual gosto de me referir como uma exploração fototerritorial. Esse trabalho é parte de uma pesquisa extensa que envolve outras ações teórico-práticas em que me permito adentrar no universo dos lugares imateriais, ainda que visíveis. Lugares na maioria imersos em tons de azuis dos ecrãs luminosos de computadores, smartphones e TVs. Azuis navegáveis como a imensidão do céu e dos mares que inspiraram tantos fotógrafos aqui reunidos.

 

 

Abaixo, instalação das primeiras imagens da série DELETE.use durante atividade no estágio PDSE/CAPES na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Portugal. Dezembro/2014

 

 

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